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Mobilidade urbana é desafio para melhorar qualidade de vida

Por Barroso Guimarães  A mobilidade urbana está diretamente relacionada a qualidade de vida, além de ser um dos maiores causadores de estresse na vida das […]

Por admin, Sergipe
mar 2, 2019 as 12:33 am - Capital, Destaques, Municípios

Por Barroso Guimarães 

A mobilidade urbana está diretamente relacionada a qualidade de vida, além de ser um dos maiores causadores de estresse na vida das pessoas. Pesquisas mostram que a profissão de motorista é a que mais oferece risco do infarto do miocárdio.

Agnaldo dos Santos Andrade tem 15 anos de profissão, trabalha mais de oito anos por dia. Ele chega nervoso em casa, briga com a mulher e não dá atenção devida aos filhos. “O estresse do dia-a-dia me deixa transtornado e sem noção do que eu estou fazendo”, disse o motorista, ressaltando que é preciso ter investimentos na mobilidade urbana para melhorar a qualidade de vida não só dos motoristas, como também dos passageiros.

Médico Marcone Ramos afirmou que qualidade no transporte público afeta na saúde do trabalhador

De acordo com o clínico geral, Marcone Ramos, se não houver mobilidade urbana de qualidade, pode afetar na saúde da população. “Os passageiros ficam nervosos com possíveis atrasos, com estresse, ansiedade e problemas no coração” informou o médico, acrescentando que sem contar com as ocorrências de violência como assaltos são comuns diagnósticos de estresse pós-traumático e transtorno de pânico.

Marcone Ramos, afirmou que os motoristas desenvolvem doenças cardiovasculares, dores na coluna, estresse, insônia e depressão. Segundo o médico, tudo isso por causa alta carga na rotina de trabalho.

Falta de investimento – Nas últimas décadas. O transporte público passou a disputar espaço com os grandes congestionamentos. A política de incentivo de aquisição de carros e motos triplicaram o número de veículos e deram um nó na mobilidade urbana.

Em Aracaju, a quantidade de carros particulares é muito grande. Mais de 170 mil veículos circulam diariamente na capital. Estima-se que em média, um carro tenha 1,3 pessoas, enquanto que ônibus carrega 50 passageiros.

As grandes cidades cresceram de forma desordenada nas últimas décadas, mas os investimentos no transporte público não aconteceram com a mesma velocidade.

Com o trânsito cada vez pior, a velocidade média dos ônibus despencou de 25 km por hora para 15 km por hora, em 16 anos.

 

Presidente do Setransp, Alberto Almeida é a favor da implantação de corredores de ônibus.

Faixas exclusivas – Para o presidente do Setransp –  do Sindicato de Transporte de Passageiros de Aracaju, Eduardo Almeida, a faixa de ônibus é o primeiro sinal na busca da prioridade do transporte público, além de ter um baixo custo, é rápida na sua implantação, melhorando o aproveitamento da frota e um barateamento no sistema de transporte.

Reclamação – Quem transita nos carros particulares, como o funcionário público, Ismael Vieira, acha que as faixas vão complicar mais ainda o trânsito. “A faixa de ônibus fica vazia, enquanto a de carro fica lotada, tornando o trânsito um verdadeiro caos”, finalizou.

Já o motorista de ônibus, José Amaral, disse que existe uma invasão dos carros de passeio na faixa exclusiva e se não houver uma fiscalização da SMTT, não vai melhorar a mobilidade urbana em Aracaju.

Segundo o presidente do Sintra, Sindicato dos Rodoviários de Aracaju, Miguel Belarmino, a categoria defende a ampliação das faixas em outras vias porque além de contribuírem para a mobilidade urbana, reduzem o estresse dos motoristas e dos passageiros.

Já o auxiliar de escritório, José Luiz Santana, que mora no conjunto Bugio e trabalha no Distrito Industrial de Aracaju, torce para que as faixas tragam todas essas vantagens, afinal mais de 80% dos trabalhadores dependem do transporte urbano.

Os elevados e crescentes níveis de congestionamentos têm tornado o transporte de ônibus, lento, não pontual, irregular e pouco confiável.

Estudo realizado pela CNI – Confederação Nacional da Industria – apontam resultados para os deslocamentos residência trabalho aqui no Brasil. De acordo com os dados apresentados neste estudo, a maior parte dos trabalhadores brasileiros passa quase um mês por ano em viagens residência – trabalho.

Faixa exclusiva de ônibus na avenida Tancredo Neves.

O que é Plano de Mobilidade Urbana?

É um conjunto de diretrizes pensadas para melhorar o deslocamento sustentável das pessoas em uma cidade, sempre de olho nos resultados positivos na qualidade de vida.

Atualmente as cidades brasileiras podem desenvolver um plano de mobilidade urbana que tenha como base usar os meios de transporte para fazer rapidez no ir e vir das pessoas, sem agredir o meio ambiente.

O que é mobilidade urbana sustentável?

Está diretamente ligado ao tipo de transporte usado para o deslocamento de pessoas. Somado a isso, está também a preocupação de facilitar trajetos, considerando amenizar impactos ambientais causados por combustíveis fosseis que degradam o ambiente, por exemplo.

Prefeito Edvaldo Nogueira quer a implantação de corredores de ônibus.

Investimento em mobilidade – O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, anunciou o Plano de Mobilidade de Aracaju, um convênio com o Governo Federal, no valor de R$ 140 milhões, que estão sendo destinados na recuperação de quatro corredores de ônibus da avenida Beira Mar, (desde o Centro, nas imediações dos mercados centrais até o bairro Atalaia), Hermes Fontes (em toda sua extensão), Augusto Franco (mais conhecida como Rio de janeiro)) e a via que se inicia na avenida Paulo VI (ainda no conjunto Augusto Franco) e segue até o Centro. O plano prevê também reforma e construção de novos terminais de ônibus.

Os investimentos também serão direcionados à construção de uma Central de Inteligência e Controle, que vai coordenar o funcionamento dos novos semáforos e melhorar a fluidez no trânsito nos horários de pico. Ainda na coletiva, foram anunciados recursos para o planejamento urbano de Itabaiana, Lagarto e Estância.

Para Edvaldo Nogueira, investindo na mobilidade urbana, garante a oferta do transporte público, aumentando o nível de acessibilidade do sistema e consequentemente melhorando a qualidade de vida da população de Aracaju. “As obras já começaram e a população vai sentir em pouco tempo, os efeitos positivos dos investimentos que estão sendo realizados na nossa cidade”, disse o prefeito, ressaltando que é preciso avançar ainda mais na mobilidade urbana, proporcionando a inclusão a vida social do cidadão de baixa renda, que fica sem acesso ao entretenimento, cultura e lazer.

Trânsito caótico de Aracaju diminui a mobilidade urbana
                                                                       Foto: Jorge Henrique

Problemas – Os transportes individuais causam também problemas com o aumento da poluição e do número de atropelamentos, o que resulta em mais gastos e problemas para a saúde pública. Só com internação de motociclistas foram gastos R$ 85,5 milhões. O gasto total com acidentes de trânsito foi R$ 187 milhões.

Além disso, diversos tratamentos de saúde deixam de ser feitos porque os pacientes não tem condições de pagar o deslocamento. E o problema relacionado a falta de condições para custear os transportes, também afeta o direito e qualidade de educação.

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